CURIOSIDADES DE ROBERTO CARLOS

 

 

Eu e Roberto Carlos, em 1999.
Eu e Roberto Carlos.

 

 

Roberto Carlos em Cordel

A vida, a carreira, o mito

(décimas de setessílabos)

 

Autor: Daniel Bueno

 

Roberto Carlos, seu nome

Unanimemente escolhido

Para ficar conhecido

Com Braga no sobrenome

Não chegou a passar fome

Embora fosse modesto

Era o pai um homem honesto

A mãe uma lutadora

Na costura, uma doutora,

Compreensiva no gesto

 

No ano quarenta e sete

Em vinte e nove de junho

O povo deu testemunho

Do acidente de um pivete

Logo se tornou manchete

Em quase toda a cidade

Com seis anos de idade

Zunguinha perdeu a perna

Houve comoção fraterna

Lamento e perplexidade

 

E quando fez nove anos

Estreou como cantor

Desistiu de ser doutor

Como estava nos seus planos

Firme como os arianos

Foi à Rádio Cachoeiro

Cantou feito um seresteiro

E venceu como calouro

Era um menino de ouro

Que já ganhava dinheiro

 

 

Entrou no Conservatório

De Música de Cachoeiro

Arriscou ser violeiro

Foi pianista simplório

Mas foi pelo repertório

Que conquistou a plateia

Aplaudido na estreia

Virou garoto afamado

E por Deus recompensado

Começou sua odisseia

 

Cachoeiro era pequeno

Para o seu grande talento

Por isso seu pensamento

Era longínquo e mais pleno

Calculou bem o terreno

E foi embora pro Rio

Na partida, um calafrio

Lhe correu pela espinha

O trem seguia na linha

Transportando um Desafio

 

Um desafio obscuro

Era o Rio de Janeiro

Pra quem era aventureiro

Eita lugar inseguro!

Roberto ainda tão puro

Enfrentou a malandragem

Mas tomado de coragem

Procurou a sua chance

Mas só lhe veio de alcance

Um pouco de aprendizagem

 

Roberto volta a estudar

Pra garantir o futuro

Era um tempo muito duro

Sem chances de trabalhar

Até pensou em voltar

Pra sua terra natal

Mas ficou na capital

Como prevendo o destino

Acreditou no Divino

E no seu dom musical

 

Foi Carlos Imperial

Que o levou à TV

Disse: “Gostei de você!

Um conterrâneo legal

Canta rock original

E tem a voz afinada

No meio dessa moçada

É o Elvis Brasileiro

Também sou de Cachoeiro

Vou topar essa empreitada!”

 

Com Tim Maia ele formou

O seu grupo musical

Por ser temperamental

O crioulão se mandou

Roberto então se tornou

Um cantor independente

E embora inexperiente

Ingressou na bossa-nova

Só que não passou na prova

Daquele ritmo exigente

 

Cantou na boate Plaza

Durante quase dez meses

Agradava algumas vezes

Mas ali não criou asa

Só sei que o futuro “brasa”

Desistiu daquele som

Descobriu que o seu tom

Era mesmo o ritmo quente

Esse sim, mais coerente

Com seu verdadeiro dom

 

O tom que era de Jobim

Foi ficando para trás

O que Roberto, aliás,

Fez bem decidindo assim

Chegou o momento enfim

Da primeira gravação

Imperial deu a mão

E compôs “João e Maria”

Que Roberto gravaria

Sem qualquer repercussão

 

Com apenas 22 anos

E morando em Niterói

O capixaba constrói

O seu castelo de planos

Mas com tantos desenganos

Quase que perde a esperança

Porém vestiu confiança

Da cabeça até os pés

Quando fez de “Splish splash” 

A sua grande mudança

 

Com “Parei na contramão”

Vira ídolo nacional

Nos rádios ele é o tal

Em toda a programação

E até na televisão

É muito solicitado

Também é requisitado

Pra ser capa de revista

Vira o primeiro da lista

De “cantor mais adorado”

 

Sessenta e quatro é o ano

Em que gravou “Calhambeque”

Sucesso que abriu o leque

Das previsões de “ariano”

Deixa de ser mediano

Para ser sensacional

Vai cantar em Portugal

Onde é bastante aplaudido

Passa a ser reconhecido

Cantor internacional

 

“É proibido fumar”

Também faz muito sucesso

É evidente o progresso

Em todo canto e lugar

Vira ídolo popular

E é sempre eleito o melhor

Mas para ser o maior

Ele fez por merecer

Pois pra na vida vencer

Derramou lágrima e suor

 

Sessenta e cinco aparece

Pra ser um ano importante

Pois de tudo a todo instante

Na sua vida acontece

De prestígio se abastece

Pra durar por toda a vida

E foi então quer a ferida

Pra sempre cicatrizou

Roberto ali começou

Sua infindável subida

 

Em agosto estreou

O programa Jovem Guarda

Um projeto de vanguarda

Que a Record implementou

O iê-iê-iê emplacou

De norte a sul do país

E o povo pedia bis

Para ouvir “Nossa Canção”

Mesmo sofrendo a nação

No governo dos fuzis

 

Continuando a história

De Roberto Carlos Braga

Sua vida, sua saga

Seus belos dias de glória

Me chegam então à memória

Dele em ritmo de aventura

Fazendo muita loucura

No Morro do Corcovado

Um ídolo já consagrado

No tempo da Ditadura

 

Maio de sessenta e oito

Com Cleonice se casa

O rei corta a própria asa

Pra deixar de ser afoito

Pois pra molhar o biscoito

Agora tem compromisso

Vira homem submisso

Do ciúme da mulher

Mas se é isso que ele quer

O fã não quer saber disso

 

Nesse ano triunfal

Roberto brilha em San Remo

Com seu talento supremo

O rei vence o festival

Numa exibição vital

Conquista os italianos

Franceses e lusitanos

Também veneram Roberto

O mundo está boquiaberto

Com o rei sul-americano

 

Nasce o filho Segundinho

Perto de 69

Todo mundo se comove

Com seu destino mesquinho

Ele nasce doentinho

Com problema na visão

Viaja de avião

Pra se tratar na Holanda

E até mesmo na umbanda

O pai buscou solução

 

Nice já tinha uma filha

Quando casou com Roberto

Pensando nisso por certo

Gerou outra maravilha

Para constar na planilha

De uma família “real”

E foi de parto normal

Que Luciana nasceu

Ana Paula agradeceu

O presente fraternal

 

Veio o ano de setenta

E ele grava “Jesus Cristo”

Pela igreja ele é bem-visto

E a sua fé mais aumenta

Já pertinho dos quarenta

Faz bem pensar no Senhor

O verdadeiro Gestor

Da carreira do artista

Aquele que é maquinista

No trem da vida e do amor

 

Para o rei não há fronteira

Em toda a América Latina

Pois conduz com disciplina

Sua brilhante carreira

Não é nuvem passageira

Nem é um cantor fugaz

É um artista capaz

De conquistar todo o mundo

Pelo seu saber profundo

De cantar o amor e a paz

 

Ele agradece ao Senhor

No sucesso da “Montanha”

Roberto prega a campanha

De gratidão e de amor

O rei se torna o mentor

Das mensagens de otimismo

Para tirar do abismo

Quem perdeu a esperança

Canta com fé e confiança

No Santo Poder Divino

Seu cantar é um belo hino

De harmonia e bonança

 

Setenta e quatro é o ano

Do primeiro Especial

Que na época do Natal

É programa soberano

A Globo tem no seu plano

Roberto como “exclusivo”

É um meio decisivo

De torná-lo grande mito

Um ídolo de gabarito

Artista definitivo

 

É quando ele grava “O portão”

“Resumo” e “Eu quero apenas”

Nas canções, jogo de cenas

Que lhe vêm na inspiração

Benito manda a canção

“Quero ver você de perto”

Que na voz do rei Roberto

É um sucesso instantâneo

Benito é contemporâneo

Compositor muito esperto

 

Gravado no exterior

Num estúdio sofisticado

O disco mais aguardado

De qualidade, um primor

Gringo é arranjador

De harmonias divinais

Porém Roberto quer mais

Do que a vida já lhe deu

Não lhe basta o apogeu

Das conquistas colossais

 

Homem e rico e realizado

Vai “além do horizonte”

Pois ali existe a fonte

Que o faz abençoado

O artista mais amado

Do seu imenso país

Conquistou tudo o que quis

E sempre quis muito mais

Trabalhar nunca é demais

Essa é sua diretriz

 

Setenta e seis, que LP!

Roberto grava “O Progresso”

É mais um grande sucesso

E o Brasil sabe por quê

Ele canta na TV

E no rádio “Seus botões”

Para arrasar corações

Canta “A menina e o poeta”

Cumpre assim a sua meta

De arquiteto das canções

 

Quando vem setenta e sete

Ele grava “Cavalgada”

O casal de madrugada

Ouve “Outra vez”, se derrete

Roberto vira manchete

No programa de Natal

Canta no Especial

Para Erasmo, seu “Amigo”

Companheiro mais antigo

Parceiro fundamental

 

Setenta e oito é importante

Um ano demais até

Cantando com amor e “Fé”

O rei está mais confiante

Porém, um pouco adiante

Vai se separar de Nice

Já cansados da chatice

Que o casamento lhes traz

Os dois preferem a paz

A prosseguir na mesmice

 

“Desabafo” é o sucesso

Do ano setenta e nove

Roberto afinal resolve

Iniciar um processo

Na verdade, o seu ingresso

No mercado americano

Dentro de mais um ano

Sai o seu disco em inglês

Que por falta de freguês

Não passou de um ledo engano

 

Chega a “Guerra dos Meninos”

Em homenagem à criança

Com Roberto a Globo lança

Projeto belo e divino

No programa natalino

Pra defender os direitos

E diminuir preconceitos

Da infância abandonada

Que vive ao léu e largada

Como bandidos suspeitos

 

“Emoções” em oitenta e um

É o seu maior sucesso

Não existe retrocesso

Nessa carreira incomum

No Brasil não tem nenhum

Cantor com tanto cartaz

O Rei Roberto é vivaz

Nesse honroso e belo ofício

É assim desde o início

Com persistência tenaz

 

E desse dia em diante

Roberto e Erasmo fizeram

Tudo que os fãs esperam

Dessa dupla tão brilhante

Um barco sem comandante

Mas que sabe seu destino

Com seu lema genuíno

De só cantar o amor

Nosso rei é um pescador

Guiado pelo Divino

 

Dizem que é supersticioso

Que marrom ele não usa

Mas que do azul ele abusa

Por achá-lo venturoso

Mas seu dom mais valioso

E que a todos satisfaz

Foi sempre ser bom rapaz

Desde os tempos de menino

Quando Deus deu-lhe o destino

De artista altivo e primaz

 

Vendeu mais de 100 milhões

De discos em todo o mundo

Seu pensamento fecundo

Fez centenas de canções

Todas feitas de emoções

Vividas pelo cantor

E Erasmo, o coautor

De uma obra iluminada

Parceria abençoada

Pelas mãos do Criador

 

Foram tantos os amores

Desse amante à moda antiga

Fafá foi mais que uma amiga

Pra mulatas mandou flores

Fez amor nos bastidores

Com moças apaixonadas

No elevador, nas escadas

Todas queriam Roberto

Ele era o homem certo

Para fãs enamoradas

 

Magda Fonseca, a primeira

Namorada de Roberto

Conheceu o rei de perto

Ainda na fase roqueira

Mas foi cair na besteira

De obedecer a seus pais

Foi s’imbora pra jamais

Saber do seu namorado

Roberto decepcionado

Dela não quis saber mais

 

Wanderléa confessou

Que namorou seu colega

Mas foi somente um “esfrega”

Coisa que logo passou

Martinha se apaixonou

Mas Roberto caiu fora

Pois naquela mesma hora

O seu amigo Dedé

Por ela ficou lelé

E virou “uma brasa, mora!”

 

O casamento com Nice

Além das recordações

Rendeu filhos e canções

De amor grande e cafonice

Luciana com meiguice

Trouxe alegria ao casal

Depois da dor crucial

Com os olhos de Segundinho

Foram anos de carinho

Até o fim conjugal

 

Depois veio Miriam Rios

Atriz tão jovem e tão bela

Roberto diante dela

Lhe cobriu de elogios

Ela sentiu arrepios

Pois do cantor era fã

E com pinta de galã

E doutor em sedução

O rei foi dela a paixão

E ela, o seu talismã

 

Mas depois de 11 anos

De amor e de paixão

Ela toma a decisão

De modificar seus planos

Por “pensamentos insanos”

Como depois descreveu

Separar-se resolveu

E abandonou o marido

Deixou o rei abatido

Na pequenez de um plebeu

 

A companheira a seguir

Ele conheceu menina

Veio ser a proteína

De um poderoso elixir

Fez a paixão ressurgir

No coração de Roberto

Fez o rei ficar bem perto

Da eterna felicidade

Mas a tal fatalidade

Deixou o céu encoberto

 

Maria Rita Simões

Foi ela a mais importante

Talvez a mais cativante

Musa de suas canções

Rainhas das emoções

Sentidas pelo cantor

Que fez dela o seu amor

Sem limites pra sonhar

Com ela, lindo luar

Sem ela, trevas e dor

 

Um dia o destino quis

Antes do tempo previsto

Que por causa de um cisto

Chegasse a morte infeliz

O implacável juiz

Da sentença derradeira

Levou sua companheira

Levou também seu sorriso

Ela, lá no paraíso

Ele, aqui na gemedeira

 

Ainda hoje ele sente

A cruel fatalidade

Não deixa de ter saudade

Sua dor é transparente

Em todo show é frequente

Lembrar de Maria Rita

Sua musa favorita

Faz parte da sua vida

Se foi triste a despedida

Sua lembrança é bonita

 

Apresento agora a lista

Das pessoas importantes

Influentes e marcantes

Na vida do nosso artista

Pra começo, o maquinista

Chamado Walter Sabino

Também vítima do destino

No dia do acidente

Que deixou deficiente

Roberto ainda menino

 

Renato Castro, o bancário

O garoto socorreu

Doutor Romildo atendeu

No instante necessário

Diante de tal cenário

Zunga manteve o brio

Seu primeiro desafio

Seria logo vencido

Ele estava decidido

A lutar com sangue-frio

 

Ana e Joaquim Moreira

Eram seus avós maternos

José e maria, paternos

Professor, José Nogueira

Que lhe ensinou a maneira

De tocar bem violão

Lauro Roberto, o irmão

Carlos e Norma, também

Que dona Laura mantém

Presos no coração

 

Na Rádio de Cachoeiro

Locutor Jair Teixeira

Sirlene Penha Oliveira

Essa, seu amor primeiro

Mas foi Genaro Ribeiro

Colega de profissão

Que lhe a gravação

Do seu primeiro acetato

Tirando do anonimato

Quem lhe tinha dado a mão

 

Seus olhos ainda têm

Profunda melancolia

Do mesmo Zunga que um dia

Saiu de casa num trem

Planejando ser alguém

Ser um artista famoso

Partiu pro Rio ansioso

Confiando em seu talento

Na sorte e no sentimento

De um padrinho generoso

 

Mais de seiscentas canções

O Rei compôs com Erasmo

Criou-se com entusiasmo

Uma dupla de emoções

Peritos em criações

De amor, fé e ecologia

Figuram na galeria

Dos menestréis do Brasil

Parceria tão febril

Que engrandece a Poesia

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