Curiosidades da Língua Portuguesa

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PORTUGUÊS BEM-DITO

Daniel Bueno

 

1 – Custas só se usa na linguagem jurídica para designar despesas feitas no processo. Portanto, devemos dizer: “O filho vive à custa do pai”. No singular.

 

2 – Não existe a expressão à medida em que. Ou se usa à medida que correspondente a à proporção que, ou se usa na medida em que equivalente a tendo em vista que.

 

3 – O certo é a meu ver e não ao meu ver.

 

4 – A princípio significa inicialmente, antes de mais nada:  Ex: A princípio, gostaria de dizer que estou bem. Em princípio quer dizer em tese. Ex: Em princípio, todos concordaram com minha sugestão.

 

5 – A reforma ortográfica tirou o hífen do adjetivo À toa, que se diferenciava do advérbio, sem hífen. Agora, em qualquer sentido À toa não tem hífen.

 

6 – Com a conjunção se, deve-se utilizar acaso, e nunca caso. O certo: “Se acaso vir meu amigo por aí, diga-lhe…” Mas podemos dizer: “Caso o veja por aí…”.

 

7 – Acerca de quer dizer a respeito de. Veja: Falei com ele acerca de um problema matemático. Mas há cerca de é uma expressão em que o verbo haver indica tempo transcorrido, equivalente a faz. Veja: cerca de um mês que não a vejo.

 

8 – Não esqueça: alface é substantivo feminino. A Alface está bem verdinha.

 

9 – Além pede sempre o hífen: além-mar, além-fronteiras, etc.

 

10 – Algures é um advérbio de lugar e quer dizer “em algum lugar”. Já alhures significa “em outro lugar”. Nenhures, “lugar nenhum”.

 

11 – Mantenha o timbre fechado do o no plural dessas palavras: almoços, bolsos, estojos, esposos, sogros, polvos, etc.

 

12 – O certo é alto-falante, e não auto-falante.

 

13 – O certo é alugam-se casas, e não aluga-se casas. Mas devemos dizer precisa-se de empregados, trata-se de problemas. Observe a presença da preposição (de) após o verbo. É a dica pra não errar.

 

14 – Depois de ditongo, geralmente se emprega x. Veja: afrouxar, encaixe, feixe, baixa, faixa, frouxo, rouxinol, trouxa, peixe, etc.

 

15 – Ancião tem três plurais: anciãos, anciães, anciões.

 

16 – Só use ao invés de para significar ao contrário de, ou seja, com ideia de oposição. Veja: Ela gosta de usar preto ao invés de branco. Ao invés de chorar, ela sorriu. Em vez de quer dizer em lugar de. Não tem necessariamente a ideia de oposição. Veja: Em vez de estudar, ela foi brincar com as colegas. (Estudar não é antônimo de brincar).

 

17 – Ainda se vê e se ouve muito aterrisar em lugar de aterrissar, com dois “s”. Escreva sempre com o “s” dobrado, mesmo que algum dicionário registre a variante aterrizar.

 

18 – Não existe preço barato ou preço caro. Só existe preço alto ou baixo. O produto, sim, é que pode ser caro ou barato. Veja: Esse televisor é muito caro. O preço desse rádio é alto.

 

19 – Ainda se vê muito, principalmente na entrada das cidades, a expressão bem vindo (sem hífen) e até benvindo. As duas estão erradas. Deve-se escrever bem-vindo, sempre com hífen.

 

20 – Atenção: nunca empregue hífen depois de bi, tri, tetra, penta, hexa, etc. O nome fica sempre coladinho. O Sport se tornou tetracampeão no ano 2000. O Náutico foi hexacampeão em 1968. O Santa Cruz foi pentacampeão em 1973. O Brasil foi bicampeão em 1962.

 

21 – Veja bem: uma revista bimensal é publicada duas vezes ao mês, ou seja, de 15 em 15 dias. A revista bimestral só sai nas bancas de dois em dois meses.

 

22 – Hoje, tanto se diz boêmia como boemia. Nelson Gonçalves consagrou a segunda (Boemia, aqui me tens de regresso), com a tonacidade no mi.

 

23 – Cuidado: Eu caibo dentro daquela caixa. A primeira pessoa do presente do indicativo assim se escreve porque o verbo é irregular. Por conta disso, o presente do subjuntivo se escreve que eu caiba, que tu caibas, que nós caibamos…

 

24 – Preste atenção: o senador Luiz Estêvão foi cassado. Mas o leão foi caçado, do verbo caçar. Portanto, cassar (com dois s) quer dizer tornar nulo, sem efeito.

 

25 – Existem palavras que só devem ser empregadas no plural. Veja: os óculos, as núpcias, as olheiras, os parabéns, os pêsames, as primícias, os víveres, os afazeres, os anais, os arredores, os escombros, as fezes, as hemorróidas, as vísceras, etc.

 

26 – Pouca gente tem coragem de usar, mas o plural de caráter é caracteres. Então, Carlos pode ser um bom-caráter, mas os dois irmãos dele são dois maus-caracteres. A letra “c” pode ser vista nos derivados: característica, caracterizar.

 

27 – Cartão de crédito e cartão de visita não pedem hífen. Já cartão-postal exige o tracinho. Aliás, a reforma eliminou esse tracinho dessas locuções: pé de moleque, pé de vento, pé de chinelo, pé de serra, pé de galinha. Mas atenção: se alguma dessas locuções tiver o significado de alguma planta ou animal, aí o tracinho é obrigatório. Vejam qualquer dicionário com a reforma e tirem as dúvidas. Tem mais: a reforma deixou escapar uma locução com tracinho: pé-de-meia, para significa poupança, dinheiro, economia.

 

28 – Catequese se escreve com s, mas catequizar é com z.

 

29 – O exemplo acima foge de uma regrinha que diz o seguinte: os verbos derivados de palavras primitivas grafadas com s formam-se com o acréscimo do sufixo -ar: análise-analisar, pesquisa-pesquisar, aviso-avisar, paralisia-paralisar, liso-alisar, etc.

 

30 – Censo é de recenseamento; senso refere-se a juízo. Veja: O censo deste ano deve ser feito com senso crítico.

 

31 – Você não bebe a champanhe. Bebe o champanhe. É, portanto, palavra masculina.

 

32 – Cidadão só tem um plural: cidadãos.

 

33 – Cincoenta não existe. Escreva sempre cinqüenta, agora sem trema, abolido pela reforma.

 

34 – Ainda tem gente que erra quando vai falar gratuito e dá tonicidade ao i, como de fosse gratuíto. O certo é gratuito, da mesma forma que pronunciamos intuito, circuito, fortuito, etc.

 

35 – E ainda tem gente que teima em dizer rúbrica, em vez de rubrica, com a sílaba bri mais forte que as outras. Escreva e diga sempre rubrica.

 

36 – Ninguém diz eu coloro esse desenho. Dói no ouvido. Portanto, o verbo colorir é defectivo (defeituoso) e não aceita a conjugação da primeira pessoa do singular do presente do indicativo. A mesma coisa é o verbo abolir. Ninguém é doido de dizer eu abulo. Pra dar um jeitinho, diga: Eu vou colorir esse desenho. Eu vou abolir esse preconceito.

 

37 – Outro verbo danado é computar. Não podemos conjugar as três primeiras pessoas: eu computo, tu computas, ele computa. A gente vai entender outra coisa, não é mesmo? Então, para evitar esses palavrões, decidiu-se pela proibição da conjugação nessas pessoas. Mas se conjugam as outras três do plural: computamos, computais, computam.

 

38 – Outra vez atenção: os verbos terminados em -uar fazem a segunda e a terceira pessoa do singular do presente do indicativo e a terceira pessoa do imperativo afirmativo em -e e não em -i. Observe: Eu quero que ele continue assim. Efetue essas contas, por favor. Menino, continue onde estava.

 

39 – A propósito do item anterior, devemos lembrar que os verbos terminados em -uir devem ser escritos naqueles tempos com  -i, e não -e. Veja: Ele possui muitos bens. Ela me inclui entre seus amigos de confiança. Isso influi bastante nas minhas decisões. Aquilo não contribui em nada com o progresso.

 

40 – Coser significa costurar. Cozer significa cozinhar. Dica: em coser, tem o “s” de costura; e em cozer, o “z” de cozinha.

 

41 – O correto é dizer deputado por São Paulo, senador por Pernambuco, e não deputado de São Paulo e senador de Pernambuco.

 

42 – Descriminar é absolver de crime, inocentar. Discriminar é distinguir, separar. Então dizemos: Alguns políticos querem descriminar o aborto. Não devemos discriminar os pobres.

 

43 – Dia a dia recebia hífen quando significava cotidiano. Agora, com a reforma, nem como substantivo nem como advérbio tem o tracinho. Portanto: Meu dia a dia tem sido de muito trabalho. Tenho sido esforçado dia a dia (diariamente).

 

44 – A pronúncia certa é disenteria, e não desinteria.

 

45 – A palavra (pena) é masculina. Portanto, “Sentimos muito daquela moça”.

 

46 – Nas expressões é muito, é pouco, é suficiente, o verbo ser fica sempre no singular, sobretudo quando denota quantidade, distância, peso. Ex: Dez quilos é muito. Dez reais é pouco. Dois gramas é suficiente.

 

47 – Há duas formas de dizer: é proibido entrada, e é proibida a entrada. Observe a presença do artigo a na segunda locução.

 

48 – Já se disse muitas vezes, mas vale repetir: televisão em cores, e não a cores.

 

49 – Cuidado: emergir é vir à tona, vir à superfície. Por exemplo: O monstro emergiu do lago. Mas imergir é o contrário: é mergulhar, afundar. Veja o exemplo: O navio imergiu em alto-mar. Emergente é o que surge, aparece; imergente, o que mergulha, desaparece.

 

50 – A confusão é grande, mas se admitem as três grafias: enfarte, enfarto e infarto.

 

51 – Outra dúvida: nunca devemos dizer estadia em lugar de estada. Portanto, a minha estada em São Paulo durou dois dias. Mas a estadia do navio em Santos só demorou um dia. Portanto, estada para permanência de pessoas, e estadia para navios ou veículos.

 

52 – E não esqueça: exceção é com ç, mas excesso é com dois s.

 

53 – Lembra-se dos verbos defectivos? Lá vai mais um: falir. No presente do indicativo só apresenta a primeira e a segunda pessoa do plural: nós falimos, vós falis. Já pensou em conjugá-lo assim: eu falo, tu fales…Horrível, né? O verbo falir só é conjugado quando aparecer a vogal “i” depois do “l”.

 

54 – Todas as expressões adverbiais formadas por palavras repetidas dispensam a crase: frente a frente, cara a cara, gota a gota, face a face, etc.

 

55 – Outra vez tome cuidado. Quando for ao supermercado, peça duzentos ou trezentos gramas de presunto, e não duzentas ou trezentas. Quando significa unidade de massa, grama é substantivo masculino. Se for a relva, aí sim, é feminino: não pise na grama; a grama está bem crescida.

 

56 – É frequente se ouvir no rádio ou na TV os entrevistados dizerem: Há muitos anos atrás… Talvez nem saibam que estão construindo uma frase redundante. Afinal, já dá ideia de passado. Ou se diz simplesmente Há muito anos… ou Muitos anos atrás. Escolha. Mas não junte o com atrás.

 

57 – Cuidado nessa arapuca do português: as palavras paroxítonas terminadas em -n recebem acento gráfico, mas as terminadas em -ns não recebem: hífen, hifens; pólen, polens.

 

58 – Atenção: Ele interveio na discórdia, e não interviu. Afinal, o verbo é intervir, derivado de vir. Se ele intervier; eu intervim; eu intervenho; que ele intervenha; etc.

 

59 – Item não leva acento. Nem seu plural itens.

 

60 – O certo é a libido, feminino. Devo dizer: Minha libido hoje não tá legal.

 

61 – Todo mundo gosta de dizer magérrima, mas o superlativo de magro é macérrimo. Se preferir, diga no popular: magríssima, que não tá errado.

 

62 – Antes de particípios não devemos usar melhor nem pior. Portanto, devemos dizer: os alunos mais bem preparados são os do 2o grau. E nunca: os alunos melhor preparados…

 

63 – Essa história de mal com l e mau com u até já cansou: É só decorar: Mal é antônimo de bem, e mau é antônimo de bom. É só substituir uma por outra nas frases para tirar a dúvida.

 

64 – Pronuncie máximo, como se houvesse dois “s no lugar do x. (mássimo). Alguns dicionários modernos admitem as duas pronúncias, “ss” e “ks”. Mas prefira a do “ss”.

 

65 – Toda vez que disser “É meio-dia e meio” você estará errando. O certo é: meio-dia e meia. Ou seja, meio dia e meia hora.

 

66 – Não tenho nada a ver com isso, e não haver com isso.

 

67 – Nem um nem outro leva o verbo para o singular: Nem um nem outro conseguiu cumprir o que prometeu.

 

68 – Toda vez que usar o verbo gostar tenha cuidado com a ligação que ele tem com a preposição de. Ex: a coisa de que mais gosto é passear no parque. A pessoa de que mais gosto é minha mãe.

 

69 – A reforma também aboliu o acento agudo de para, do verbo parar. Agora tanto faz: para, preposição; para, verbo, ambos sem acento: Ele para no posto para abastecer.

 

70 – E tem mais: tanto faz pelo (cabelo) como pelo (preposição). Com a reforma, não existe mais o acento diferencial de pelo (cabelo). Ele passa a mão pelo corpo e arranca pelo.

 

71 – Pera, a fruta, também perdeu o acento diferencial.

 

72 – Nessa reforma, quem escapou com acento diferencial foi pôde, terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo poder, para diferenciar a pode, terceira pessoa do presente do indicativo.

 

73 – Além de pôde, também salvou-se pôr, que leva acento para diferenciar-se da preposição por. “Quero pôr tudo no seu devido lugar”. Mas: “Por qualquer coisa, ele se contenta”. Resumindo: somente pôr e pôde mantiveram o polêmico acento diferencial.

 

74 – Fique atento: nunca diga nem escreva 1 de abril, 1 de maio. Mas sempre: primeiro de abril, primeiro de maio. Prevalece o ordinal.

 

75 – É chato, pedante ou parece ser errado dizer “quando eu vir Maria, darei o recado a ela”. Mas esse é o emprego correto do verbo ver no futuro do subjuntivo. Se eu vir, quando eu vir.  Mas quando é o verbo vir que está na jogada, a coisa muda: quando eu vier, se eu vier.

 

76 – Só use quantia para somas em dinheiro. Para o resto, pode usar quantidade. Veja: Recebi a quantia de 20 mil reais. Era grande a quantidade de animais no meio da pista.

 

77 – O prefixo recém sempre se separa por hífen da palavra seguinte e deve ser pronunciado como oxítona: recém-chegado de Londres.

 

78 – Não esqueça: retificar é corrigir, e ratificar é comprovar, reafirmar: “Eu ratifico o que disse e retifico meus erros.

 

79 – Quando disser ruim, dê ênfase ao “im”, que é a sílaba mais forte desta palavra oxítona.

 

80 – Fique atento: só empregamos São antes de nomes que começam por consoante: São Mateus, São João, São Tomé, etc. Se o nome começa por vogal ou h, empregamos Santo: Santo Antonio, Santo Henrique, etc.

 

81 – E lembre-se: Seção, com ç, quer dizer parte de um todo, departamento: a seção eleitoral, a seção de esportes. Já sessão, com dois s, significa intervalo de tempo que dura uma reunião, uma assembleia, um acontecimento qualquer: A sessão do cinema demorou muito tempo. A sessão espírita terminou.

 

82 – Não confunda: senão, juntinho, quer dizer “caso contrário”. E se não, separado, equivale a “se por acaso não”. Veja: Chegue cedo, senão eu vou embora. Se não chegar cedo, eu vou embora. Percebeu a diferença?

 

83 – Tire esta dúvida: quando “só” é adjetivo equivale a sozinho e varia em número, ou seja, pode ir para o plural. Mas “só” como advérbio, quer dizer somente. Aí não se mexe. Veja: Brigaram e agora vivem sós (sozinhos). (somente) um bom diálogo os trará de volta.

 

84 – É comum ouvirmos no rádio e na TV o entrevistado dizer: “O que nos falta são subzídios”. Quer dizer, fala com a pronúncia do z. Mas não é: pronuncia-se “ss”. Portanto, escreva subsídio e pronuncie subssídio.

 

85 – Taxar quer dizer “tributar”, “fixar preço”. Tachar é “atribuir defeito”, “acusar”. O governo taxou os investimentos. Ele tachou o colega de desonesto.

 

86 – E nunca diga: Eu torço para o Flamengo. Quem torce de verdade, torce pelo Flamengo.

 

87 – Todo mundo tem dúvida, mas preste atenção: 50% dos estudantes passaram nos testes finais. Somente 1% terá condições de pagar a mensalidade. Acreditamos que 20% do eleitorado se abstenha de votar nas próximas eleições. Mais exemplos: 10% estão aptos a votar, mas 1% deles preferem fugir das urnas. Quer dizer, concorde com o mais próximo e saiba que essa regra é bastante flexível.

 

88 – Um dos que deixa dúvidas. Há gramáticos que aceitam o emprego do singular depois dessa expressão. Mas pela norma culta, devemos pluralizar: Eu sou um dos que foram admitidos. Sandra é uma das que ouvem rádio.

 

89 – Veado se escreve com e, e não com i.

 

90 – Tem viagem com g e viajem com j. Tire a dúvida: viagem é o substantivo: A viagem foi boa. Viajem é o verbo: Caso vocês viajem, levem tudo.

 

91 – O prefixo vice sempre se separa por hífen da palavra seguinte: vice-prefeito, vice-governador, vice-reitor, vice-presidente, vice-diretor, etc.

 

92 – Geralmente, se usa o x depois da sílaba inicial -en: enxaguar, enxame, enxergar, enxaqueca, enxofre, enxada, enxoval, enxugar, etc. Mas cuidado com as exceções: encher e seus derivados (enchimento, enchente, enchido, preencher, etc) e quando -en se junta a um radical iniciado por ch: encharcar (de charco), enchumaçar (de chumaço), enchiqueirar (de chiqueiro), etc.

 

93 – Não adianta: chuchu se escreve mesmo é com ch. E para comprá-lo, pechinche.

 

94 – Ciclo vicioso não existe. O correto é círculo vicioso.

 

95 – E qual a diferença entre achar e encontrar? Use achar para definir aquilo que se procura, e encontrar para aquilo que, sem intenção nenhuma, se apresenta à pessoa. Veja: Achei finalmente o que procurava. Maria encontrou uma corda debaixo da cama. Jorge achou o gato dele que fugiu na semana passada.

 

96 – Adentro é uma palavra só: Meteu-se porta adentro. A lua sumiu noite adentro. Afora também: Lá vou eu vou por esse mundo afora.

 

97 – Não existe adiar para depois. Isso é redundante, porque adiar só pode ser para depois.

 

98 – Afim (juntinho) tem relação com afinidade: gostos afins, palavras afins. A fim de (separado) equivale a para: Veio logo a fim de me ver bem vestido.

 

99 – Pode parecer meio estranho, mas pode conjugar o verbo aguar assim: eu águo, tu águas, ele água, nós aguamos, vós aguais, eles águam.

 

100 – E por falar em 100, centigrama é palavra masculina: dois centigramas.

 

101 – Austral e meridional se referem ao “sul”; boreal e meridional, ao “norte”.

 

102 – Alguns verbos têm apenas uma forma de particípio: abrir, aberto – trazer, trazido – cobrir, coberto – escrever, escrito – descobrir, descoberto – fazer, feito, etc.

 

103 – Sócio como elemento de composição se liga diretamente à palavra seguinte: socioambiental.

 

104 – Um exemplo de inversão: Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heróico um brado retumbante. Qual é o sujeito dessa oração? Na ordem direta, eliminando a inversão: As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico. Sujeito: as margens plácidas do Ipiranga (que ouviram o brado…)

 

105 – Superintendente vem de superintender, que significa dirigir, administrar. É um superdirigente, portanto. Antigamente o prefeito de uma cidade (seu administrador) era chamado de “Intendente”.

 

106 – O correto é pronunciar obsoléto, como discreto, secreto, correto, concreto, dileto, repleto, seleto, etc. Mas o vício da linguagem fechou o timbre.

 

107 – Em “Já é uma hora e 55 minutos”, o verbo SER deve concordar com o número mais próximo, no caso UMA, singular.

 

108 – O elemento PENE – do latino pene – quer dizer QUASE. Por isso, península é quase uma ilha; penúltimo é quase o último, penumbra é quase uma sombra.

 

109 – Poeta pode ser usado para mulher também, embora exista o feminino POETISA. Cecília Meirelles reclamou: alegou que poeta é poeta, seja homem seja mulher. Mas os dicionários fazem questão de afirmar que poeta é macho e poetisa é fêmea. Mesmo assim, os dois estão corretos para a mulher.

 

110 – Ledo engano. O que é ledo? Ledo é risonho, alegre, contente. Pois ledo engano é um engano que a pessoa comete alegremente, inocentemente, pensando que está acertando, ou seja, um engano imperceptível.

 

111 – Pica-pau é substantivo composto em todo lugar, menos no título da obra, que fixou em Sítio do Picapau Amarelo, emendado. Mas não está certo. Tem o hifenzinho.

 

112 – O que é advogado? O adjetivo relativo a voz é vocal, cuja raiz VOC está em advocacia. Pois então o advogado é aquele que representa a voz de outra pessoa. E o AD é o elemento que significa aproximação.

 

113 – O Vocabulário Onomástico da Língua Portuguesa manda escrever NOVA IORQUE, todo aportuguesado. Considera bizarro juntar inglês e português, como Nova York. Mas é esta forma a consagrada pela imprensa no Brasil.

 

114 – Chuvas de verão são estivais; vem de estio, próprio do tempo quente, do verão.

 

115 – O plural de gol deveria ser gois, para seguir a regra geral. Mas o Aurélio admite que esse barbarismo não tem solução na língua portuguesa.

 

116 – Alguns puristas dizem que o correto é escrever má-formação em vez de malformação, alegando que o advérbio não pode modificar o substantivo. O adjetivo, sim. Porém, a maioria dos dicionários grafa malformação como variante de má-formação. Consagrou-se e ponto final.

 

117 – De onde vem GARI?  Na verdade é o sobrenome de Aleixo Gary, empresário que no início do século 20 dirigiu a empresa responsável pela limpeza pública do Rio de Janeiro. Quem trabalhava na empresa Gary foi logo chamado de Gari, com i. Isso é feito Gilete, que é o nome da fábrica e passou para o produto, que é uma lâmina; Bombril, nome da fábrica, que passou para o produto, que na verdade se chama lã de aço.

 

118 – Palavra híbrida, aquela que mistura, por exemplo, grego com latim: televisão, tele do grego (ao longe, distante) e visão, do latim (imagem). Imagem ao longe.

 

119 – Em português, as palavras terminadas em R fazem o plural acrescentando um S. Bar-bares, mulher-mulheres – açúcar-açúcares, etc. E QUAISQUER? É um caso particular, porque é palavra formada pelo plural de Qual (quais) e o verbo Quer, que como tal é invariável na formação de palavras.

 

120 – Palavras terminadas em EL fazem plural com a terminação ÉIS: papel, papéis – coronel, coronéis – anel, anéis. Mas Mel, méis ou meles – fel, féis ou feles. Casos excepcionais.

 

121 – Vestibular vem de vestíbulo, pátio ou portal que dá acesso à entrada principal de uma construção. No sentido figurado, vestibular é um portal que dá acesso ao curso superior.

 

122 – O substantivo de conseguir é consecução. Consecução é o ato de conseguir, assim como concessão é o ato de conceder.

 

123 – O que acompanha dólares são centavos, ambas aportuguesadas. O que acompanha dollars são cents, ambas estrangeiras.

 

124 – Lasanha é com s, vem do italiano lasagna.

 

125 – Em COMPANHIA existe o elemento latino PANIS, que significa PÃO. Era usada em latim com o sentido de Pessoas Que Comem Pão Juntas (juntas=com).

 

126 – Jacques Cousteau era um cidadão e pesquisador exemplar. Exemplar fica no singular porque os dois substantivos se referem ao mesmo ser. Gosto de Luiz Gonzaga, cantor e compositor inspirado.

 

127 – Os substantivos abstratos terminados em EO apresentam a terminação EIDADE: simultâneo, simultaneidade. Substantivos terminados em IO apresentam a terminação IEDADE: sério, seriedade.

 

128 – Em homossexual o elemento HOMO não se refere a homem, mas é um elemento grego que significa igual, semelhante. Homossexual quer dizer do mesmo sexo; por isso, uma mulher pode ser chamada de homossexual, assim como homogêneo, homônimo (mesmo nome, nome igual).

 

129 – Nos adjetivos compostos formados por dois adjetivos só se flexiona o segundo: mudanças sócio-econômicas, despesas médico-hospitalares.

 

130 – Estado de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul: de, e não do.

 

131 – Eu disse aquilo porque me conveio dizer. Convir se conjuga como o verbo VIR: conviesse, convinha, conveio, convieste, etc.

 

132 – Quem mora na lua é selenita (hipotético habitante da Lua). Selenita vem do grego, que corresponde a lunar.

 

133 – O homem que mora na ilha é ilhéu; a mulher, ilhoa.

 

134 – Vale a pena não recebe crase. Significa O sacrifício vale a pena? Ou seja, esse “a” é apenas artigo do substantivo pena.

 

135 – Xuxa é seu ídolo; Ivete é seu ídolo; aquela diretora é um carrasco; ela é ídolo nacional. Sempre no masculino, até o artigo que o antecede. Nada de a ídolo, minha ídolo. Ídola não existe.

 

136 – O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e o dicionário Caldas Aulete registram GARÇOA como feminino de Garçom (com “m”). Os demais registram garçonete. O mesmo VOLP registra pilota como feminino de piloto.

 

137 – Normatizar quer dizer criar ou estabelecer normas. Normalizar é tornar normal, regularizar, voltar à normalidade.

 

138 – Serenata é da família de sereno, modalidade musical que costuma ser feita à noite ou de madrugada, embaixo do sereno. Já seresta é uma variante de serenata, usando suas primeiras sílabas.

 

139 – Potiguar vem do tupi e significa comedor de camarão, crustáceo abundante na região. Quem nasce em São Luiz pode ser chamado de ludovicense porque vem de Ludovico, palavra que gerou a francesa Louis e daí a portuguesa Luís.

 

140 – Alvenaria vem de alvener, aquele que constrói, pedreiro. É de origem árabe.

 

141 – O feminino de patrono é PATRONESSE. Não existe patrona.

 

142 – Inexorável pronuncia-se ineZorável. Nada de ineCSorável.

 

143 – Diante de entidades cujo nome é grafado com inicial maiúscula não ocorre crase: Agradecemos a Aquele que nos protege (Aquele=Deus).

 

144 – A cobertura encurvada é abóbada (abóbada da Assembléia Legislativa de Pernambuco). Dizer abóboda é cometer cacoépia.

 

145 – O sinal agudo é chamado de DIACRÍTICO. É o sinal da acentuação gráfica.

 

146 – Acento prosódico é o acento da fala. Portanto, o acento prosódico nem sempre recebe acento gráfico. Acento gráfico é o sinal utilizado na língua escrita para indicar a sílaba tônica da palavra.

 

147 – adrede: intencionalmente, de propósito.

 

148 – Alcorão quer dizer leitura. Al é artigo definido em árabe.

 

149 – Intempestivo quer dizer inoportuno, fora de hora, fora do tempo.

 

150 – apropinquar-se significa aproximar-se.

 

151 – arrear = pôr arreio. Arriar = abaixar, descer.

 

152 – Os preços baixaram = os preços caíram. Mas: Os comerciantes abaixaram os preços = diminuíram, reduziram.

 

153 – Diz a regra da formação do plural dos substantivos compostos que as formas verbais ficam invariáveis, como em beija-flores, guarda-roupas. Mas em bem-te-vi, que faz plural bem-te-vis, ocorre uma onomatopeia, e aí o elemento verbal perde seu sentido original. Onomatopeia: o nome da ave se origina do seu canto.

 

154 – O certo é biótipo e não biotipo. Mesmo sendo um evidente erro de pronúncia (silabada), alguns dicionários já registram biotipo.

 

155 – Cabeleireiro vem de cabeleira e não de cabelo.

 

156 – O pronome indefinido CADA não deve ser utilizado desacompanhado de substantivo ou numeral: O livro custa 15 reais cada um; ou cada livro custa 15 reais.

 

157 – Márcia era O melhor caixa do Banco do Brasil. O caixa tanto pra homem como pra mulher.

 

158 – Catacrese: o pé da mesa, o braço da poltrona; sabatina na terça-feira (deveria ser no sábado); embarcou no avião (embarcar ocorre em barco). Não há uma palavra específica e o jeito é se valer de outra.

 

159 – Chegou a hora de o povo decidir. O povo é sujeito do verbo decidir. O sujeito nunca é regido de preposição. A preposição nesse caso rege o verbo e não o sujeito. Chegou a hora de este homem decidir.

 

160 – Cidadã ou cidadoa = feminino de cidadão

 

161 – Coletivo é um substantivo comum que, mesmo no singular, designa um conjunto de seres da mesma espécie.

 

162 – Substantivos usados como adjetivos permanecem invariáveis: comícios monstro; blusas vinho; calças gelo; contas fantasma (atenção: contas fantasma)

 

163 – Competir, verbo irregular mas não defectivo. Pode dizer sem medo: eu compito, tu competes.

 

164 – Consoantes de ligação = acrescenta-se a algumas palavras para facilitar a pronúncia: pezinho (pé+Z+inho) – cafeteira (café-T-eira); paulada (pau-L-ada).

 

165 – Couve-flor é feminino: a couve-flor.

 

166 – Derivação prefixal (antebraço), derivação sufixal (braçada); derivação parassintética (entardecer, amadurecer = prefixo mais sufixo postos simultaneamente). Por isso que em INFELIZMENTE não ocorre parassíntese porque já existem as palavras infeliz e felizmente. Derivação regressiva = redução da palavra primitiva: boteco por botequim; comuna por comunista; reaça por reacionário.

 

167 – O comentarista de futebol faz descrição, narração e dissertação (dissertação=defesa de um ponto de vista, argumentação). O narrador só narra e descreve.

 

168 – Eco: a decisão da eleição não causou comoção na população. É muito “ão”.

 

169 – Em que pese = ainda que custe deve vir sempre regida de preposição e seu sujeito implícito é ISTO, por isso fica no singular. Ex: Em que (isto) pese aos acusados, a decisão foi justa.

 

170 – Empecilho, com E inicial.

 

171 – Depois da sílaba inicial EN emprega-se X: enxoval, enxaqueca, enxada, enxame, enxurrada. Mas há exceções: enchova, encher- que vem de cheio, e seus derivados (preencher); e quando o prefixo EM junta-se a radical iniciado por ch: encharcar (de charco), enchumaçar (de chumaço)

 

172 – Encontro consonantal perfeito: quando as consoantes pertencem à mesma sílaba: blu-sa, pra-to, psi-cologia. Encontro consonantal imperfeito: consoantes pertencem a sílabas diferentes: af-ta, ab-so-lu-to, pac-to, rit-mo.

 

173 – Epiceno é substantivo que apresenta um único gênero para designar animais ou vegetais de ambos os sexos. Jacaré macho, jacaré fêmea. Comum de dois gêneros: o estudante, a estudante; o jovem, a jovem; dentista suado, dentista suada. Sobrecomum quando a palavra e seu determinante servem para os dois gêneros: a vítima, a pessoa, a testemunha, o cônjuge, a criança, etc.

 

174 – Ocorre acomodação gráfica em FUJA do verbo FUGIR, já que será impossível usar o G nessa forma verbal.

 

175 – Guarda-civil, guardas-civis; guarda-noturno, guardas-noturnos; porque GUARDA nesse caso é substantivo, é o policial, o vigilante. Mas em guarda-roupa, guarda-roupas, esse guarda é do verbo guardar, e aí torna-se invariável como elemento de composição.

 

176 – O grama, peso, vem do grego; a grama, relva, vem do latim.

 

177 – Em Bahia, o h refere-se ao hiato, que antigamente era designado pela letra H. Só ficou em Bahia, por tradição. Nas palavras derivadas o h foi extinto: baiano, laranja-da-baía.

 

178 – Homo de homossexual é o elemento grego que significa Mesmo, Semelhante. Homossexual=mesmo sexo. Por isso a mulher pode ser chamada de homossexual. Hetero=diferente, por isso, heteressexual. Homogêno=mesma natureza; homófono=mesmo som; homocromia=mesma cor. O radical latino HOMINE é que se refere a homem.

 

179 – Ordinal até décimo, cardinal a partir de 11. Bento 16, mas Bento X, IX, VII, Paulo VI (Sexto), etc.

 

180 – A primeira gramática da língua portuguesa foi lançada entre 1536 e 1540, seguida dos primeiros dicionários. No Brasil, a primeira gramática foi publicada pelo professor Júlio Ribeiro, em 1881, “Gramática Portuguesa”.

 

181 – Depois da sílaba ME emprega-se o X e não CH: mexer, mexido, mexerico, mexicano, etc.

 

182 – Plural de modéstia: Estamos preocupado (sem s). Plural Majestático: Vós sois a minha única Esperança, Jesus! Vós sois, meu rei, o nosso governante.

 

183 – Fiquei com dó do jogador. Dó=monossílabo tônico; do=átono.

 

184 – Elementos mórficos(morfemas)=radical, prefixo, sufixo, vogal temática, desinência, consoante de ligação, vogal de ligação. Morfemas são unidades significativas que constituem as palavras, ou seja, são as formas mínimas em que as palavras podem se decompor.

 

185 – Quando temos locução verbal com verbo principal no infinitivo ou gerúndio precedida de partícula atrativa, o pronome deve ficar antes do verbo auxiliar, ou depois do verbo principal, NUNCA entre ambos: Não lhe quero falar, ou Não quero falar-lhe. Não quero lhe falar está errado (Não quero lhe falar do meu amor, Belchior, está errado)

 

186 – Neologismo=palavra recém-criada ou uma palavra já existente que adquire um novo significado. Tucano, por exemplo, para designar o adepto ou filiado do PSDB. Verbo tucanar também é um neologismo.

 

187 – Ótimo: superlativo absoluto sintético irregular de BOM. O regular é boníssimo.

 

188 – Existem o pleonasmo vicioso, a redundância clara (entrar pra dentro) e o pleonasmo estilístico (chorar um choro bem chorado).

 

189 – Poleiro vem de pólo (ô), ave com menos de 1 ano de idade.

 

190 – Pronome reflexivo é o pronome pessoal oblíquo que se refere ao sujeito de uma oração: Eu me banhei, tu te penteaste, ela se mandou.

 

191 – Sequer é um advérbio que aparece em orações negativas: ele nem sequer compareceu à festa. Sequer é o mesmo que AO MENOS, PELO MENOS. Não se admite em orações como ELE SEQUER COMPARECEU…

 

192 – afeito: acostumado, habituado – afazer-se=acostumar-se. Não me afiz àquela vida.

 

193 – Álacre = alegre, jovial, animado

 

194 – Aleluia = louvai ao Senhor

 

195 – Com exceção de invejar, todos os verbos terminados em –EJAR se conjugam com o E tônico fechado: apedrejar, bocejar, calejar, desejar, manejar, despejar, pelejar, solfejar, velejar, etc.

 

196 – Enchente é com CH, mas enxurrada, com X

 

197 – apoteose: final glorioso, clímax.

 

198 – Ater-se: limitar-se – Atenha-se aos seus afazeres, aos seus argumentos.

 

198 – aferir – medir, avaliar – auferir = obter, tirar, auferir lucros, auferir vantagens

 

199 – Costumes avoengos = costumes herdados dos avós

 

200 – axiomático = indiscutível

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