As 40 do Bueno

Eu na Av. Paulista - SP

Eu na Av. Paulista - SP

Aqui estão relacionadas 40 composições de minha autoria. Você pode baixá-las e até gravá-las, claro, com a minha permissão, obedecendo às regras da Lei Autoral.

Playlist Completo

O FILME

QUANDO FECHO OS OLHOS

A MESMA CENA ME APARECE NA RETINA

DO MEU CORAÇÃO

QUE BELO FILME

EU VEJO AGORA PROJETADO NO MILAGRE

DA IMAGINAÇÃO

MEU PÉ DE SERRA

DE MADRUGADA O SERENO FAZ ORVALHO

NAS FOLHAS DO JUAZEIRO

E NO TERREIRO

UMA SEMENTE GERMINANDO NA TERRA MOLHADA

EU SINTO O CHEIRO

NO CASARÃO

FOGÃO DE LENHA AINDA QUEIMA

AS DESILUSÕES DA MINHA IDADE

NA VELHA REDE AINDA BALANÇA UMA LEMBRANÇA

QUE DEIXOU SAUDADE

E QUANDO ABRO OS OLHOS

É O FIM DO FILME

QUE REALIDADE…

AMOR, ESTOU CHEGANDO

AMOR ESTOU CHEGANDO PRA GENTE FESTEJAR

HOJE O DIA TODO É POUCO PRA GENTE SE AMAR

JUNTAR O SEU DESEJO COM MINHA LOUCURA

EU GOSTO DO PERIGO, VOCÊ GOSTA DE AVENTURA

VAMOS MERGULHAR NO RIO DA INCERTEZA

PAIXÃO DE SOBE E DESCE NESSA CORRENTEZA

AMOR ESTOU CHEGANDO…

QUERO OUVIR VOCÊ GEMENDO DE AMOR

E EU TE ACOMPANHANDO AONDE VOCÊ FOR

TOTAL COINCIDÊNCIA NO INSTANTE DA EXPLOSÃO

MAS JOGO EMPATADO TEM PRORROGAÇÃO

AMOR ESTOU CHEGANDO…

24 HORAS DE PAIXÃO É MUITO POUCO

DE CHAMAR SEU NOME EU JÁ TÔ FICANDO ROUCO

É TANTO AMOR QUE A GENTE NEM SE SATISFAZ

EU NÃO ENTREGO OS PONTOS, VOCÊ ME PEDE MAIS…

NA FAZENDA DE VOVÔ

Quando me lembro de você me lembro dela

Da Fazenda do Oitizeiro da Cacimba Velha

Da porteira do curral e da cancela

Do barreiro e do terreiro que havia nela

Duas casas conjugadas, cinco janelas

E o luar iluminando a noite bela

Candeeiro a querosene, a luz de vela

Que saudade eu tenho dela

Na Fazenda de vovô foi que eu passei

Os momentos mais bonitos que eu vivi

Quanto tempo já passou e eu guardei

As lembranças que eu nunca esqueci

Hoje eu vivo engaiolado nesse apartamento

Liberdade é prisioneira do meu sofrimento

Minha vida é um sufoco meu canto é lamento

Ah, eu vou voltar no tempo

Na fazenda de vovô foi que eu passei…

AS COISAS QUE EU DEIXEI ALI

EU MORO NA CIDADE GRANDE

MAS MEU PENSAMENTO TÁ MUITO LONGE DAQUI

EU SEI QUE VOU VOLTAR UM DIA

PRA REVER AS MINHAS COISAS QUE EU DEIXE ALI

MEU PENSAMENTO LEMBRA A TODO INSTANTE

MINHA TERRA TÃO DISTANTE

QUE AINDA MORA EM MIM

COMO EU ME LEMBRO DA FAZENDA DO OITIZEIRO

DO MEU PÉ DE UMBUZEIRO, MINHA ROÇA, MEU JARDIM

E NO QUINTAL O PILÃO E UM GALINHEIRO

COCHILANDO NO POLEIRO, UMA SAUDADE SEM FIM

NAQUELE ALPENDRE A MESMA REDE DE MALHA

UMA CELA, UMA CANGALHA, UM BISACO E UM MATULÃO

E NUM CANTINHO MINHA VÓ COM SEU ROSÁRIO

DIANTE DE UM SANTUÁRIO REZANDO COM DEVOÇÃO

CARRO DE BOI NA SOMBRA DE UM JUAZEIRO

E A BANDEIRA NO TERREIRO EM LOUVOR A SÃO JOÃO

DON JUAN DO SERTÃO

Ô SANFONEIRO DEIXE DE CONVERSA MOLE

PUXE ESSE FOLE, QUE ESSA NOITE É UMA CRIANÇA

HOME, AVIE LOGO, COMECE LOGO ESSA DANÇA

QUE EU JÁ TIREI A ALIANÇA PRA CAIR NESSE FORRÓ

EU LEVO A VIDA DE CACHAÇA E BOEMIA

SOU VICIADO EM JOGO, FESTA E MULHER

HOJE EU NAMORO ATÉ AMANHECER O DIA

HOJE EU CAIO NESSA FOLIA,

PÉ-DE-SERRA E ARRASTA-PÉ

NESSE FORRÓ NÃO TEM LEI NÃO TEM CENSURA

HOJE NINGUÉM ME SEGURA

SANFONEIRO ATOLE O PÉ

NESSE SALÃO EU VIREI ARROZ DE FESTA

HOJE EU TÔ COM A MULESTA

EMBRIAGADO DE PAIXÃO

EU SOU POETA, SOU CABRA NAMORADOR

MATUTO CHEIO DE AMOR

SOU DON JUAN DO SERTÃO

LAMENTO ECOLÓGICO


SE CADA UM FIZER A SUA PARTE

NÃO SERENOS OBRIGADOS A VIVER EM MARTE

O PLANETA TERRA ESTÁ AGONIZANDO

O GELO DAS GELEIRAS, SE DERRETENDO

O EFEITO ESTUFA ESTÁ ME SUFOCANDO

E O CLIMA NA TERRA, SE AQUECENDO

RIOS E RIACHOS ESTÃO SECANDO

ANIMAIS E MATAS ESTÃO GEMENDO

A ÁGUA DE BEBER, SE ACABANDO

E ATÉ OS TSUNAMIS ESTÃO ACONTECENDO…

SE CADA UM FIZER A SUA PARTE

NÃO SEREMOS OBRIGADOS A VIVER EM MARTE

AS FLORESTAS ESTÃO SUMINDO

OS ALIMENTOS ESTÃO CONTAMINADOS

O NÍVEL DOS MARES ESTÁ SUBINDO

OS TESTES NUCLEARES, DESGOVERNADOS

O FUTURO DA GENTE ESTÁ COMPROMETIDO

O ALERTA DA CIÊNCIA NÃO FOI OUVIDO

O HOMEM ORIGINAL FOI CORROMPIDO

E O CHEFE DAS NAÇÕES É UM DOIDO-VARRIDO

PARABÉNS PRA GONZAGÃO

DIA TREZE DE DEZEMBRO

PARABÉNS PRA GONZAGÃO

A GENTE COMEMORA

O ANIVERSÁRIO DO REI DO BAIÃO

CHEGA GENTE VEM S’IMBORA

QUE HOJE TEM ANIMAÇÃO

EM MIL NOVECENTOS E DOZE

SANTANA DEU À LUZ O MENINO LUIZ

JANUÁRIO FESTEJOU:

EITA DIA TÃO FELIZ (BIS)

DIA TREZE DE DEZEMBRO…

GONZAGA CANTOU MEU SERTÃO

LEVOU O NORDESTE PRA TODO O PAÍS

NOSSO REI É O MAIOR

ISSO TODO MUNDO DIZ

GONZAGÃO É O NOSSO REI

EITA DIA TÃO FELIZ

DIA TREZE DE DEZEMBRO…

A MINHA CASA

DO SEXTO ANDAR DO MEU APARTAMENTO

UMA LEMBRANÇA VEM QUANDO ME DEITO

A MESMA CENA INVADE O PENSAMENTO

E UMA SAUDADE AVANÇA NO MEU PEITO

NA MINHA CASA, A SALA E O CORREDOR

AQUELA PORTA DIVIDIDA EM DUAS

O CHÃO BATIDO, AS PAREDES NUAS

E O QUARTO DE UM MENINO SONHADOR

ALI PISAVAM TODO DIA UNS VINTE PÉS

MEU PAI DIZIA: AINDA CABEM MAIS UNS DEZ!

A REDE, O RÁDIO, O ESPELHO E UMA MEDALHA

DE UM VAQUEIRO QUE FOI CAMPEÃO

DETRÁS DA PORTA UMA CRUZ DE PALHA

DA TELHA TRANSPARENTE, UM CLARÃO

UM TAMBURETE, UMA CADEIRA DE BALANÇO

UMA CORTINA DE FITAS COLORIDAS

A GATA PRENHA, UM CACHORRO MANSO

E A GENTE ALI EM VIDAS TÃO VIVIDAS…

ALI PISAVAM TODO DIA UNS VINTE PÉS

MEU PAI DIZIA: AINDA CABEM MAIS UNS DEZ!

COISAS QUE NÃO COMPREENDO

TEM COISAS NESTE MUNDO QUE EU NÃO COMPREENDO

POR QUE PRA TER A PAZ O HOMEM FAZ A GUERRA

DESTRÓI TODA A BELEZA DO PLANETA TERRA

A ÚNICA MORADA QUE DEUS PRA ELE FEZ

QUANTA ESTUPIDEZ, QUANTA INSENSATEZ

TEM COISAS NESTE MUNDO QUE EU NÃO COMPREENDO

PARA AGRADAR A DEUS O TERRORISTA EXPLODE

E O AMERICANO PENSA QUE SÓ ELE PODE

DIZER QUANDO É QUE VAI CHEGAR A MINHA VEZ

AMANHÃ TALVEZ, QUANTA ESTUPIDEZ…

TEM COISAS NESTE MUNDO QUE EU NÃO COMPREENDO

POLÍTICOS ELEITOS PRA ROUBAR O PÃO

DE UM POVO JÁ CANSADO DA CORRUPÇÃO

QUE FAZ UMA NAÇÃO PENAR NA INVALIDEZ

QUANTA INSENSATEZ, QUANTA ESTUPIDEZ…

TRIBUTO A LAMPIÃO

EU VOU CONTAR PRA TODO MUNDO UMA HISTÓRIA

QUE O TEMPO NÃO APAGA E ME FASCINA

DE UM HOMEM QUE AINDA VIVE NA MEMÓRIA

PELA GLÓRIA, SUA FAMA E SUA SINA

ATÉ HOJE NÃO SE SABE SE ELE FOI

UM HERÓI OU UM CAUBÓI, UM JUSTICEIRO CRUEL

EU SÓ SEI O QUE SE CANTA POR AÍ

NO REPENTE DA VIOLA, E NA POESIA DO CORDEL

COMEÇOU A SUA VIDA DE AVENTURAS

NA MAIS PURA INTENÇÃO DA SUA LEI

PELA MORTE DO SEU PAI FEZ UMA JURA

DE TORTURA, DE VINGANÇA, EU NÃO SEI

SE A CORAGEM CONFUNDIRAM COM LOUCURA

FOI TERROR OU FOI BRAVURA NAS CAATINGAS DO SERTÃO

FOI AMIGO E DEVOTO DE PADIM CIÇO

QUE LHE DEU DE COMPROMISSO A PATENTE DE CAPITÃO

TAMBÉM AMOU…SE APAIXONOU…

E CONQUISTOU A MARIA MAIS BONITA

A MORENA MAIS FACEIRA QUE LHE DEU SEU CORAÇÃO

E O CASAMENTO DE SANTINHA E VIRGULINO

O DESTINO SÓ NA MORTE FOI QUE FEZ SEPARAÇÃO

ELE ENFRENTOU AS VOLANTES DO NORDESTE

FEZ O DIABO, FEZ A PESTE, MATOU GENTE COMO UM CÃO

MESMO ASSIM FOI DOMINADO E ALGEMADO

E ACABOU SENDO MARCADO PELA FORÇA DA PAIXÃO…

MOLEQUE DE RECADO

QUANDO EU ERA MENINO EM CARNAÍBA

TODO MUNDO QUERIA MANDAR EM MIM

ERA SEMPRE ASSIM, TODO DIA ASSIM

LEVA LOGO ESSE RECADO E DEIXA DE PANTIM

Ô, MENINO, VAI ALI COMPRAR CIGARRO!

Ô, MENINO, CORRE ALI, CHAMA FULANO!

ERA ESSE MEU DEVER COTIDIANO

LÁ DE CASA PRA VENDA DA ESQUINA

TRAZ O QUEIJO, O FUBÁ E A MARGARINA

QUEROSENE, BOLACHA E CREOLINA

GOIABADA, SABÃO E CAJUÍNA

LEITE, PÃO E UM CACHETE DE ASPIRINA…

EU TENHO TUDO

Desculpe, moço

Mas eu daqui do meu torrão não saio, não

Muito obrigado

Mas na cidade grande não me acostumo não

Aqui tem tudo

Que eu preciso em minha vida para ser feliz

A minha terra, meu pé de serra

A liberdade que eu sempre quis

Minha família, minha novilha

Meu cachorro, o meu alazão

Meu velho pai

O seu conselho é meu espelho, minha direção

Aqui tem tudo…

Perdoe seu moço

Mas eu daqui deste meu chão não saio não

Eu lhe agradeço

Mas na cidade grande não me acostumo não…

Aqui tem tudo…

PASSARADA

Hoje eu acordei

Ouvindo o canto matinal do bem-te-vi

A revoada do vem-vem da jutiri

Da papativa, do canário e o curió

A passarada fazendo festa logo cedo de manhã

Na cantoria a nostalgia do acauã

E a ribaçã namorando o rouxinol

E vem chegando

Os passarinhos de outros ninhos mais distantes

O beija-flor beijando a flor

Eterna amante

E a asa-branca que partiu também voltou

E o sabiá

Faz um dueto com o galo de campina

Cantando em dó maior a dor da sua sina

Uma gaiola de silêncio e desamor

FILHO DE MORADOR

Que saudade, amor

Até parece que o passado não passou

Como dói a dor

De quem faz tempo que não vê o seu amor

E a lembrança, amor,

Me diz agora que o passado não passou

Não me esqueça, amor

Que um dia eu volto pra viver no interior

Tenho saudade da minha infância

Do meu tempo de menino

Eu nem sabia qual seria meu destino

Mas certamente já queria ser um vencedor

Era feliz, pois eu achava

Que era dono do meu boqueirão

Não entendia que era tudo aquilo do patrão

E eu era simplesmente o filho de um morador

Que saudade, amor

Até parece que o passado não passou

Ah, como dói a dor

De quem tá longe dos braços do seu amor

E a lembrança, amor

Me diz agora que o passado não passou

Não me esqueça, amor

Que um dia eu volto pra viver no interior

O DOSSIÊ

Um passarinho me contou que viu você

Falando mal de mim

Dizendo que até fez um dossiê

Querendo ver meu fim

O fim não justifica os meios

Falar da vida alheia é muito feio

Você faz tiroteio usando bala de festim

O show já terminou

E eu já saí do camarim

Você por onde é feito praga de cupim

Deve ser ruim viver assim…

ECLIPSE TOTAL DE AMOR

Lua, minha doce amada

Nesta noite iluminada

Me faz poeta e trovador

Nessa brisa carinhosa

Quero ouvir a tua prosa

E provar do teu amor

Lua, eu peço por bondade

Não deixe nunca que a saudade

Me traga assim mais tanta dor

Não se esconda mais de mim

Se não quiser ver meu fim

Um eclipse total de amor

DAMA E MERETRIZ

Ouvi dizer que você anda por aí

Falando mal de mim

Se falar mal de mim, amor

Te faz feliz

Eu compreendo, a vida é mesmo assim

Mas quero ver

Você dizer na minha frente

Que realmente o nosso amor chegou ao fim

Quero ouvir você dizer que não me ama

Que só mentiu, fingiu, feito uma atriz

Que apagou meu filme de sonhos, ilusões

Que não valeu de nada tudo

Que eu lhe fiz

Só lhe peço que lá fora

Você seja uma dama porque na cama

Você foi meretriz

OBJETO DE MULHER

QUEM NUNCA VIU UM HOMEM FORTE QUANDO CHORA

POIS TÁ VENDO AGORA, POIS TÁ VENDO AGORA

A GENTE PENSA QUE NO AMOR A GENTE MANDA

MAS É ELA QUEM COMANDA

FAZ DO HOMEM O QUE ELA QUER

OS MEUS AMIGOS ME CHAMAM NA INTERNET

DE BONECO MARIONETE

OBJETO DE MULHER

QUEM NUNCA VIU UM HOMEM FORTE QUANDO CHORA

POIS TÁ VENDO AGORA, POIS TÁ VENDO AGORA

QUEM NUNCA VIU UM CABRA MACHO QUANDO CHORA

VENHA OUVIR A MINHA HISTÓRIA

SE BRINCAR CHORA TAMBÉM

QUANDO ELA CISMA, DÁ ADEUS E VAI EMBORA

SAI POR ESSE MUNDO AFORA

E NÃO TEM PENA DE NINGUÉM

QUEM NUNCA VIU UM HOMEM FORTE QUANDO CHORA

POIS TÁ VENDO AGORA, POIS TÁ VENDO AGORA

OBRIGADO, ZÉ DANTAS

O Brasil todo conhece

Os poemas de Zé Dantas

As belas canções são tantas

Que o sertão todo agradece

Sabiá e Acauã, Paulo Afonso e Algodão

A Volta da Asa Branca, o ABC do Sertão

Vem Morena, Minha Fulô

Pra Lenda de São João

Vem pra cá Cintura Fina

Dance o Xote das Meninas

No Forró de Zé Antão

Os sucessos de Zé Dantas

Todo mundo canta e dança

No Forró de Mané Vito

Farinhada, Imbalança

E o Riacho do Navio

Nunca me sai da lembrança

Riacho do navio, corre pro Pajeú…

LEMBRANÇAS DO MEU PAI

EU GUARDO COM MUITO CARINHO

AS COISAS QUE PAPAI DEIXOU PRA MIM

MEU PAI EU GUARDO COM CARINHO

NA GAIOLA UM PASSARINHO

QUE AINDA CANTA PRA VOCÊ

E AQUELA REDE DE BALANÇO

SEU COCHILO, SEU DESCANSO

O SEU JEITO DE VIVER

EU GUARDO COM MUITO CARINHO

PENDURADO NUM CANTINHO

AQUELE CHAPÉU DE COURO

UM CANECO DE ALUMÍNIO AMASSADO

E O SEU NOME ALI GRAVADO

NUM LINDO CORDÃO DE OURO

O ASILO

Toda vez que passo ali na frente

Uma cena deprimente

Me parte o coração

Aquele homem já vencido pela idade

Vive ali por piedade

Amargando a solidão

Por entre as grades do portão

Aquela imagem é o retrato da paisagem

Que o tempo desbotou

E ali chegando maltratado da viagem

Foi largado e abandonado

Sem família e sem amor

O que foi que esse homem fez?

O que foi que esse homem fez?

Olhe que o tempo é cruel com todo mundo

Seja nobre ou vagabundo

Vai chegar a sua vez (bis)

Meu filho me pergunta:

Pai, o que é aquilo?

Eu respondo é um asilo

O lar dos esquecidos

E quando um dia seu papai envelhecer

Não me deixe ali viver

Longe do filho querido

O que foi que esse homem fez?…

DANIELA

Foi numa linda tarde no interior

Que dei o primeiro beijo no primeiro amor

Foi tanta emoção que eu senti por ela

Nunca esqueço de você, Daniela

E toda vez que a gente se encontrava, ô, ô

Você me olhava tão apaixonada

Eu louco de amor dizia pra você

Que eu não ia te perder

Você era a minha amada

Ô, ô, ô, Daniela

Ô, Ô Daniela, ô, ô, Daniela

Nem artista de novela é bonita como ela

Ô, ô, ô, Daniela, ô, ô Daniela

Ô, ô, ô Daniela

Passo o dia na janela esperando Daniela

O SETE

7 tranças tinha o cabelo de Sansão

O arco-íris tem 7 cores de ilusão

7 os sacramentos, virtudes fundamentais

No peito de Maria também tem 7 punhais

Com 7 anos fiz a primeira formatura

7 belas-artes tem música e literatura

No sonho de José, 7 vacas, 7 espigas

E o gato acredita que ainda tem 7 vidas

7 meses Jânio foi o chefe da nação

Com 7 pães Jesus alimentou a multidão

E como prova que de Deus vem lição, vem castigo

7 também foram as pragas do Egito Antigo

7 os emirados árabes do Oriente

7 também dizem que é a conta de quem mente

7 são do mundo as antigas maravilhas

7 sílabas tem a maior das redondilhas

7 também são as belas notas musicais

Igualmente 7 os pecados capitais…

O OPERÁRIO

Menina da capital

Faz um bom tempo que cheguei do interior

Mas assim que eu te avistei

Meu coração bem lingerim se apaixonou

Cheguei de longe do alto sertão

Sonhando alto, lutando pra viver

Quebrei a cara no conto do vigário

Fui operário, escravo do patrão

Desempregado fiquei sem um tostão

Soltei mais fogo que a boca de um vulcão

Virei palhaço no circo da ilusão

Sem ter amigos chorei na solidão

Até que um dia a sorte me tirou

Do lamaçal onde a vida me jogou

E tô aqui com a fama de cantor

Apaixonado pelo teu amor

FECHADO PRA BALANÇO

Tô fechado pra balanço

Tô querendo solidão

Eu preciso dar um descanso

Ao este velho coração

Eu não quero compromisso

Tô fugindo da paixão

Não se mexa, deixe disso

Que o amor é uma ilusão

Por favor, volte outra hora

Embarque no primeiro trem

Diga adeus e vá embora

Que eu não quero saber de ninguém

Qualquer dia eu abro a porta

Com amor em liquidação

Mas agora o que me importa

É esquecer a ingratidão

MINHA HISTÓRIA

NA JANELA DO TEMPO EU ME RECORDO

DO MAIS LINDO CENÁRIO DO SERTÃO

CHÃO TREMENDO EM BRASA, SOL ARDENTE

UM CRUZEIRO NO ALTO DO SERROTE

NO TERREIRO UM JUAZEIRO CONFIDENTE

NO CURRAL TRÊS NOVILHAS E UM GARROTE…

MEU CACHORRO DORMINDO NO BATENTE

GARANHÃO DE PAIXÃO COBRINDO A ÉGUA

E O SILÊNCIO ROMPIDO DE REPENTE

NUM CHOCALHO TOCANDO A MAIS DE LÉGUA…

MEU PASSADO AGORA TÃO PRESENTE

É UM FILME PASSANDO NA MEMÓRIA

E AQUI HOJE TÃO LONGE E TÃO AUSENTE

EU ME PEGO ESCREVENDO A MINHA HISTÓRIA…

NA JANELA DO TEMPO EU ME RECORDO

DO MAIS LINDO CENÁRIO DO SERTÃO…

O RETIRANTE

SEU MOÇO, TÔ CHEGANDO AGORA

VIM DE MUITO LONGE

SEM NEM UM TOSTÃO

TRAGO NA BAGAGEM UM SONHO

DE LUTAR PRA SER UM DIA UM CAMPEÃO

ANDEI POR DIAS TANTAS LÉGUAS

VIM MONTADO EM CIMA DE UM CAMINHÃO

TÔ VINDO PROCURAR A SORTE

CALEJADO E FORTE, VEJA A MINHA MÃO…

DE ONDE EU VIM TRAGO ESPERANÇA

SONHOS DE CRIANÇA DE GANHAR O MUNDO

SOU FILHO DE FAMÍLIA BOA

EU NÃO VIM À TOA, NÃO SOU VAGABUNDO

NÃO QUERO QUE ME QUEBRE O GALHO

EU QUERO UM TRABALHO PARA O MEU SUSTENTO

ALGUMA COISA AQUI ME DIZ

QUE EU VOU SER FELIZ

É MEU PRESSENTIMENTO…

XOTE NATALINO

Hoje amanheci contando estrelas

Da passarada ouvi um canto divinal

Me deu saudade dos carinhos da morena

Que eu conheci naquela noite de Natal

Papai Noel me viu chorando e teve pena

E de presente alegrou meu coração

Tirou do saco uma boneca bem morena

Que me abraçou e acabou com a solidão

Ai, ai, ai, ai, bateu o sino como bate o coração

Ai, ai, ai, ai, marcando a hora da triste separação

Passou o tempo e veio a festa de São João

Naquela noite a morena foi embora

Nem deu adeus e foi subindo num balão

Meu coração hoje pena, sofre e chora

Mais um Natal vem trazendo a esperança

E eu passo o dia debruçado na janela

Papai Noel, quem espera sempre alcança

E de presente eu lhe peço a volta dela

Ai, ai, ai, ai, quero de novo o amor dessa donzela

Noite feliz, canto esse xote natalino só pra ela

Ai, ai, ai, ai, quero cantar e louvar na noite bela

Noite feliz, é nessa noite que eu me caso com ela

MINHA CARNAÍBA

Sou de Carnaíba do sertão pernambucano

Sou do Oitizeiro, da beira do Pajeú

Terra de Zé Dantas, orgulho carnaibano

Chão de Santo Antônio de Pádua e mandacaru

Que saudade grande os teus filhos têm de tu

Minha Carnaíba, do meu Rio Pajeú

Sou de Carnaíba, do forró, xote e baião

Terra dos pifeiros, das bandinhas marciais

Todo filho teu te quer bem de coração

Quem distante vive, não te esquece jamais

Que saudade imensa os teus filhos têm de tu

Minha Carnaíba, do meu Rio Pajeú!

JOGO VIRADO

Hoje eu decidi terminar de vez

Com essa ilusão

Que até agora prometeu e nada fez

Tanto eu esperei sua decisão

Mas não existe lei que mande alguém

Amar por obrigação

Me perdi no tempo e no espaço

Não sei que horas são nem onde estou

Vivo sem saber o que é que eu faço

Rastejando atrás do teu amor

Chega de sofrer sem resultado

Padecer por quem não me merece

Esse jogo eu viro e tá virado

Vá embora e veja se me esquece

DE RECIFE A PETROLINA

No começo do ano eu viajei

Do Recife saí pro interior

De Carpina eu fui pra Limoeiro

Em Bezerros achei o meu amor

Fui com ela pra ver Caruaru

Cumaru, Gravatá e Sanharó

Arcoverde, Pesqueira e Venturosa

Caetés, Garanhuns e Cabrobó

Fui subindo pra ver meu Pajeú

Afogados, Tabira, Iguaraci

Carnaíba, a terra de Badu

Foi nesse torrão que eu nasci

Fui a Flores, Triunfo e Calumbi

A Custódia, depois Serra Talhada

De Salgueiro parti para Exu

Pra matar a saudade de Gonzaga

Quando olhei, eu vi a terra ardendo

Avistei Bodocó e Araripina

Quando o dia já foi anoitecendo

Fui chegando feliz em Petrolina

Que viagem mais linda

De Recife a Petrolina…

Aí depois eu voltei…(falando)

CONFISSÃO

Amor, vim aqui me confessar

Posso até me ajoelhar

Como um pobre pecador

Amor, reconheço meus enganos

Não quero perder meus planos

Padecendo dessa dor

Amor, vim pedir sua clemência

Que eu prometo penitência

Pra ter sua redenção

Amor, eu estou arrependido

Sou um pecador sofrido

Suplicando o seu perdão

ANIMAL FERIDO

Tô sofrendo de saudade

Sem vergonha de dizer

Que só vi felicidade, amor

Quando estava com você

Coração arrependido

Consciente que errou

Tô na solidão perdido

Sou um animal ferido

Tô carente de amor

Digo com sinceridade

Meu orgulho se acabou

Deixei de ser arrogante

Bicho bruto ignorante

Despertei para o amor

Se você me aceitar

Se puder me perdoar

Eu prometo que agora

Todo dia, toda hora

Muito amor eu vou lhe dar

CÃES E GATOS

Toda manhã

Quando estou indo ao trabalho

Ele ainda está dormindo

Na calçada da esquina

Que triste a sina desse pobre ancião

Que esquecido ali no chão

É o retrato da ruína

E o que é a vida, irmão

O que é a vida?

Tantos cães e tantos gatos

Têm conforto e têm guarida

E o que é a vida irmão,

O que é a vida?

E esse homem ali sonhando

Com um prato de comida

Já de noitinha

Quando venho do trabalho

Ele sai de carro em carro

Com sua mão estendida

Mas o doutor lhe diz logo aborrecido

“Sai daqui velho bandido

Vai procurar outra vida!”

E o que é a vida, irmão… (refrão)

De madrugada ele volta pra dormir

Papelão é sua cama

O jornal, seu cobertor

A dor aperta no estômago vazio

Sente fome e sente frio

E adormece o sofredor

E o que é a vida, irmão

O que é a vida?

Tantos cães e tantos gatos

Têm conforto e têm amor

E o que é a vida, irmão

O que é a vida?

E esse pobre ali largado

Desprezado, sem valor

De madrugada ele volta…

MEUS AMIGOS

Meus amigos têm me procurado

Pra me dar notícias de você

Pra me dar conselhos, preocupados

E até pra me ensinar como esquecer

Dizem que não liga mais pra mim

Que até nem fez questão de me perder

Que já se acostumou com o nosso fim

E que arranjou um novo bem-querer

Mas não adianta ninguém me dizer

Como vai você, nem por onde andou

Estou apaixonado e não acredito

Se não foi você quem me contou…

MEU RIO PAJEÚ

QUEM TE VIU QUEM TE VÊ, MEU PAJEÚ

RIO SAGRADO DOS ÍNDIOS CARIRIS

NO TEU LEITO HOJE SÓ TEM MANDACARU

LAVADEIRAS, URUBUS E JURITIS

NO INVERNO ERA UM DOM TUA BELEZA

PAJEÚ ERA UM RIO TÃO SELVAGEM

QUEM VIVIA NA TUA REDONDEZA

SE JUNTAVA PRA VER TUA PASSAGEM

E NA FÚRIA DA TUA CORRENTEZA

TORAS, TRONCOS, RAÍZES E RAMAGENS

CADA ENCHENTE ERA UM SHOW DA NATUREZA

QUE EU CORRIA PRA VER EM TUAS MARGENS

TEU CENÁRIO HOJE MODIFICOU TANTO

QUE O MEU CANTO FICOU TRISTE E SOMBRIO

O PRAZER DO POETA VIROU PRANTO

PAJEÚ… JÁ NÃO É O MESMO RIO…

NÃO SE VÊ MAIS LARGURA E PROFUNDEZA

TE PRENDERAM EM REPRESAS, MIL BARRAGENS

SERTANEJOS ACLAMAM TUAS PROEZAS

TEUS BAIXIOS, VAZANTES E PAISAGENS…

PAJEÚ, NÃO É MAIS O MESMO RIO…

O BOA-VIDA

EU CONHEÇO UM CARA LÁ NA MINHA RUA

QUE NUNCA DEU O PREGO NUMA BARRA DE SABÃO

COMO DIZ O POVO: NASCEU COM A BUNDA PRA LUA

O CARA É BOA-VIDA E NUNCA TEVE PROFISSÃO

SUJEITO PREGUIÇOSO PASSA O DIA INTEIRO

OUVINDO MÚSICA BREGA NO MAIOR VOLUME

VIVE CHEIRANDO MAIS QUE FILHO DE BARBEIRO

SÓ USA GRIFE BOA E DO MELHOR PERFUME

NÃO SEI ONDE ESSE CARA

VAI BUSCAR TANTO DINHEIRO

OU ELE É CAFETÃO OU É CALOTEIRO

NÃO SEI ONDE ESSE CARA

VAI BUSCAR TANTO DINHEIRO

VAI VER QUE É GIGOLÔ OU É TRAMBIQUEIRO

VELHO CORAÇÃO

Por que você fingiu pra mim?

Mentiu dizendo que em amava

Eu não pensei que fosse assim

Que aquilo tudo não foi nada

Você brincou com o meu pobre coração

Fui presa fácil na armadilha da paixão

Só sei amar sincero e puro na ilusão

De que se existe amor não há separação

Eu acredito no amor sem traição

Na lealdade e na ternura da paixão

Prefiro ter que encarar a solidão

A ver dilacerado um velho coração

O PÉ

ENTREI NA SUA VIDA COM O PÉ DIREITO

EM PÉ DE IGUALDADE A GENTE NÃO TINHA DEFEITO

VOCÊ BATIA O PÉ DIZENDO QUE TINHA RAZÃO

EU NÃO METIA OS PÉS PRA NÃO FAZER CONFUSÃO

VOCÊ TERMINOU TUDO E DEU NO PÉ

DO JEITO COMO ESTAVA NÃO DAVA PÉ

VIVENDO O TEMPO TODO EM PÉ DE GUERRA

VOCÊ FALAVA MAL ATÉ DO MEU PÉ DE SERRA

NÃO PISE NO MEU PÉ, NÃO ME PROVOQUE MAIS

HOJE EU TENHO OS PÉS NO CHÃO

E NÃO VOU VOLTAR ATRÁS

EU FIZ MEU PÉ-DE-MEIA SENTIMENTAL

NÃO SOU UM PÉ-DE-CHINELO EMOCIONAL

MEU VERSO TEM SENTIDO NÃO TEM PÉ QUADRADO

NÃO VOU LAMBER SEUS PÉS

POIS EU NÃO FUI O CULPADO

CONVERSA AO PÉ-DO-OUVIDO EU NÃO QUERO MAIS

EU TÔ DESCONFIADO E FIQUEI COM UM PÉ ATRÁS…

O BIGU

Peguei um bigu, andei na boleia

Hoje tem plateia no meu Pajeú

Vou fazer um show de xote e baião

Vai ter multidão pra ver quem eu sou

Sou muito chegado num arrasta-pé

Onde tem mulhé tem festa de gado

Vou caçar mocó no meu pé de serra

Lá na minha terra eu vou cantar forró

Vou cantar forró, xaxado e baião

Vou cantar forró lá no meu sertão

 
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